Cyrela tem primeiro prejuízo trimestral da sua história

Publicado em 11 de agosto de 2017 por Vanessa Pessoa


(Valor Econômico – Empresas – Pág B2 – 11/08/2017)

A Cyrela – a mais tradicional incorporadora brasileira – registrou o primeiro prejuízo líquido da sua história. De abril a junho, a incorporadora teve perda de R$ 141 milhões, resultante, principalmente do impacto negativo de R$ 122 milhões referentes ao Grand Parc Residential Resort, empreendimento em que ocorreu acidente na área de lazer, em julho de 2016, em Vitória (ES). O projeto foi desenvolvido em parceria com a Incortel Incorporações e Construções.

Tecnisa e Gafisa, que também apresentaram balanço do segundo trimestre ontem, tiveram altas expressivas nos respectivos prejuízos líquidos. A perda da Tecnisa cresceu 52,5%, para R$ 139,99 milhões, e a da Gafisa aumentou 368%, para R$ 180 milhões. A Direcional Engenharia reverteu lucro de R$ 22,2 milhões do segundo trimestre de 2016 e teve prejuízo de R$ 29,7 milhões. O lucro da EZTec caiu 43%, para R$ 21,92 milhões. Já a Tenda elevou o lucro em 141%, para R$ 20,8 milhões.

O resultado líquido da Cyrela foi afetado, negativamente, também por R$ 20 milhões de novas contingências e R$ 1 milhão de distratos/vendas de terrenos. Por outro lado, houve impactos positivos de R$ 8 milhões da participação da Cyrela no resultado da Cury e de R$ 7 milhões do resultado da MAC. A receita líquida caiu 4,2%, para R$ 575 milhões, e a margem bruta caiu de 39,8% para 26,7%.

A Tecnisa vendeu seis terrenos no trimestre, pelo total de R$ 88 milhões, o que significou entrada de recursos no caixa, mas gerou perda de R$ 11 milhões. A companhia fez provisão de R$ 22 milhões para perda de remensuração do custo de terrenos à venda e de unidades em estoque. Houve baixa de imobilizado de R$ 5 milhões relacionada à entrega de mais um andar da sede administrativa.

A receita da Tecnisa aumentou 24,2%, para R$ 124,86 milhões, em decorrência do aumento das vendas. No segundo trimestre, a empresa vendeu R$ 77,62 milhões, com alta de 107,9%. As despesas gerais e administrativas caíram 35%, em decorrência, principalmente, de corte de funcionários e da redução da área ocupada pela sede para um andar.

No caso da Tenda, a receita líquida aumentou 20,7%, para R$ 314,6 milhões. A margem bruta passou de 25,9% para 32,9%. A rubrica outras despesas operacionais cresceu 197,8%, para R$ 21,7 milhões. Nessa linha, estão incluídas despesas com demandas judiciais. No fim de junho, a Tenda tinha R$ 127,2 milhões de provisão para créditos de liquidação duvidosa e distratos, com alta anual de 23,4%. Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores, Felipe Cohen, quando houve a cisão da companhia da Gafisa, foram segregados processos que eram, anteriormente, gerenciados em sociedade.

A Gafisa registrou queda de 31% da receita líquida, para R$ 147,25 milhões. A incorporadora teve margem bruta negativa de 9,8%, ante o indicador positivo de 12,3% do segundo trimestre do ano passado. No trimestre, a antecipação da conclusão de processo de arbitragem teve efeito líquido negativo de R$ 18,2 milhões. As despesas com demandas judiciais cresceram 94%, para R$ 30,04 milhões.

A geração de caixa foi o ponto comum dos balanços divulgados ontem. A Cyrela gerou R$ 64 milhões entre abril e junho deste ano. A Tecnisa teve geração de R$ 189 milhões no trimestre. A companhia informou também geração ajustada de R$ 123 milhões, decorrente da redução de R$ 24 milhões da dívida líquida dos projetos consolidados por equivalência patrimonial e sem considerar R$ 90 milhões decorrentes de aumento de capital aprovado em março. “Nossa prioridade continua a ser a geração de caixa”, diz o diretor financeiro e de relações com investidores da Tecnisa, Flávio Vidigal.

A EZTec gerou caixa de R$ 52 milhões no trimestre. A Gafisa informou geração de caixa operacional de R$ 101,5 milhões e geração líquida positiva de R$ 20,5 milhões. A Tenda gerou caixa de R$ 62,8 milhões no segundo trimestre, e há expectativa, de acordo com Cohen, de continuidade desse movimento. No caso da Direcional Engenharia, a geração de caixa chegou a R$ 28 milhões.