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Empresários da construção cobram normalização de crédito imobiliário da Caixa

01/12/2017 / Categorias Mercado imobiliário , Banco
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Os empresários do setor de construção têm feito coro para cobrar a normalização da liberação de financiamentos da Caixa Econômica Federal para a compra e a construção de imóveis no País. O gargalo na concessão de crédito tem ocorrido há cerca de dois a três meses e passou a se intensificar nos últimos dias. O banco enfrenta restrições para liberar novos empréstimos devido à necessidade de adequar sua estrutura interna às novas regras do Acordo de Basileia.

“Nas duas últimas semanas, a situação voltou a apertar”, conta Rodrigo Luna, presidente da incorporadora Plano & Plano, empresa parceira da Cyrela e focada nas moradias para a população de menor renda, dentro do Minha Casa, Minha Vida. Nesse segmento, as empresas são ainda mais impactadas pelos gargalos da Caixa. O banco responde por 65% do mercado de crédito imobiliário, mas esse patamar sobe para 95% no mercado de baixa renda.

Luna diz que a Plano & Plano ouviu da Caixa que a situação será normalizada em breve, motivo pelo qual a incorporadora não deixou de lançar novos projetos. Na última semana, foram lançados dois empreendimentos e mais dois estão previstos até o fim do ano, afirma o executivo.

O presidente da Associação Brasileira das Incorporadoras (Abrainc), Luiz França, afirma que o problema é preocupante, mas confirma que o banco e o governo federal já sinalizaram que tratarão com prioridade as iniciativas para normalizar os empréstimos. “Nós trabalhamos com a hipótese de que esse é um problema que será resolvido nos próximos dias. Não vemos outra hipótese”, ressalta França.

Ele diz que, diante da indisponibilidade de recursos, a Caixa tem priorizado o financiamento de imóveis para famílias com renda de até R$ 4 mil, enquanto os demais segmentos dificilmente conseguem os empréstimos. Apesar desse cenário, França diz que o mercado imobiliário segue com a tendência de recuperação e pode fechar 2018 com crescimento. No acumulado do ano até agosto, as vendas subiram 25,5%, enquanto os lancamentos recuaram 3,5%, segundo pesquisa da Abrainc com a Fipe.

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, alertou na segunda-feira para o risco de o mercado imobiliário residencial sofrer um encolhimento no próximo ano, mesmo que haja continuidade das melhoras macroeconômicas, como redução da inflação e dos juros. Na sua avaliação, o setor permanece pressionado pelos gargalos de crédito da Caixa, que se somam a outros problemas, como a falta de regras claras para os cancelamentos de contratos de compra e venda de imóveis na planta (distratos).

“O mercado tem todas as condições para crescer. Mas se essas questões não forem resolvidas, vemos o risco de os números (de lançamentos e vendas) do mercado em 2018 serem menores”, disse Martins. “Não está faltando cliente. O que faltam são condições para esses clientes adquirirem o tão desejado imóvel. As condições macroeconômicas melhoraram, mas só isso não é suficiente”, frisou.

Cadeia da Construção - A Abrainc e a Fipe lançaram nesta terça um estudo que busca evidenciar o tamanho da cadeia da construção e os seus impactos sobre a economia. O estudo estima que foram lançadas 6,3 milhões de unidades residenciais pelas incorporadoras no País entre 2008 e 2017, dos quais 77,8% são moradias populares enquadradas no programa Minha Casa Minha Vida, 20,7% são residências de médio e alto padrão e 1,6% imóveis comerciais.

A atividade de construção e incorporação imobiliária foi responsável pela geração de 1,9 milhão de empregos no período de 2010 e 2017. Os postos de trabalho se espalharam por toda a cadeia produtiva, incluindo atividades que são impulsionadas pela formação de novos lares. Do total de empregos gerados, 372,5 mil (19,7%) foram para a indústria de transformação, 310,6 mil (16,4%) para o comércio e 305,2 mil (16,1%) para a construção.

O levantamento mostra ainda que a incorporação imobiliária e as atividades a ela associadas arrecadaram cerca de R$ 157,4 bilhões de 2010 a 2017, uma média de R$ 19,7 bilhões por ano. Desse montante, 41,7% foram para os cofres do governo federal, 37,9% para o estadual e 20,4% para as prefeituras municipais.

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