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Fora da zona de conforto

16/11/2017 / Categorias Imposto , Mercado de trabalho
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A trajetória de queda ininterrupta da taxa de juro traz um novo ambiente de investimentos ao país. O investidor, até há pouco acostumado à alta remuneração da renda fixa, vai precisar se mexer e assumir certo grau de exposição ao risco se quiser engrossar o caldo de sua rentabilidade financeira.

A vida tranquila do passado, na qual era possível estacionar o dinheiro em títulos do Tesouro Direto e obter ganhos reais de 7% ao ano, além do IPCA (índice oficial de inflação), ficou para trás. A Selic caiu em julho, pela primeira vez em quatro anos, abaixo dos dois dígitos, para 9,25%, e hoje já desceu a 8,25%. A taxa básica de juros pode fechar o ano abaixo de 7%, conforme apostas de economistas, o que já deve incomodar o investidor.

Isso porque se a inflação convergir e se estabilizar no centro da meta, em 4,5% ao ano (hoje é de 2,46% em 12 meses), o Brasil irá experimentar um juro real menor do que 3%. E apesar da elevada concentração das aplicações financeiras em ativos conservadores como NTN-Bs, CDBs, caderneta de poupança e Letras de Crédito Imobiliário e do Agropecuário (LCIs e LCAs), já foi possível observar no primeiro semestre um pequeno movimento do varejo de alta renda e do private banking rumo a títulos de maior risco e alta volatilidade, dentro e fora da própria renda fixa. E esse movimento tende a ganhar força.

“É a primeira vez em três anos que o Tesouro Direto cresce menos do que a Bolsa. Isso já mostra tendência, ainda mais se olhamos os números do varejo. O apetite por risco, só deve aumentar”, avalia José Ramos Rocha Neto, presidente do Comitê de Varejo da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e diretor de investimentos do Bradesco. O levantamento feito pela entidade mostra que, de janeiro a junho, a compra de títulos do Tesouro avançou 14,24% e a de ações subiu 14,7% – ficaram respectivamente em R$ 32 bilhões e R$ 38 bilhões.

Boa parte desse movimento se deu com fundos multimercados, que carregam um percentual de ações em sua cesta de ativos. Mas muitos especialistas veem na instabilidade política um fator que pode retardar esse movimento. “Quem diria que a Bolsa, nesse ambiente – volátil – teria grandes retornos?”, questiona Ricardo Tadeu Martins, presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec Nacional). Boa parte desses ganhos foi capturada não pelo pequeno investidor local, mas pelos estrangeiros que acompanham as oportunidades do mercado brasileiro.

Há quem veja, porém, o lado bom do comportamento mais conservador do investidor em ambiente de instabilidade e volatilidade nacional e mundial. “Isso pode ser até bom para que não tome decisões muito arriscadas. Neste caso, num primeiro momento, a tendência é o investidor criar uma maior reserva de emergência”, avalia Claudio Sanches, diretor de investimentos e previdência do Itaú Unibanco, que entre o varejo e o private concentra R$ 800 bilhões em ativos. Para o executivo, o país começa a viver situação similar à de 2012, quando a Selic chegou a 7,5% ao ano, porém, sem os fundamentos econômicos atuais. Tanto que não se sustentou por muito tempo àquela época.

Apesar de haver muitos investidores que já percebem que os mesmos papéis não entregam o retorno do passado, Sanches acredita que uma ideia recorrente atrapalha a análise: “De que todo investimento tem que render 1% ao mês. Com o juro baixo, não dá mais.” Há um consenso entre os gestores de que esse movimento em direção a ativos de maior risco se dará de forma gradual.

Eles acreditam que no curto e médio prazos, do final de 2017 ao início de 2018, ainda será possível capturar oportunidades em produtos pré-fixados ligados à inflação, como no IMA-B 5 +, e na NTN-B 2022. Esses papéis têm a vantagem de ser mais defensivos. Se houver nova queda de juros vão ganhar em rentabilidade e se a inflação voltar também estarão protegidos. Em seguida, a opção é entrar em fundos multimercados, que estão com boa rentabilidade e nos quais os gestores conseguem capturar rapidamente as mudanças de cenário econômico.

Olhando um pouco mais para frente, esses mesmos fundos devem oferecer alternativas com mais risco, para só depois o mercado de ações nacionais ganhar a preferência das pessoas, assim como os fundos que investem no exterior, ou mesmo os com hegde (proteção) em dólar. “No varejo não estamos oferecendo isso de maneira massiva. Mas a alta renda e o private podem acessar as BDRs ou índices de ação – ETFs – de bolsa externas.

O investidor mais qualificado também tem opções off-shore, dentre outros ativos”, afirma Gilberto Abreu, diretor executivo de investimentos do Santander, que só no varejo concentra R$ 240 bilhões em investimentos de pessoa física. Na sua opinião, operações mais estruturadas como o COE podem servir de ponte nesse processo de transição e serem interessantes para quem quer começar a experimentar um pouco mais de risco, com proteção do principal. “As debêntures incentivadas e os Certificados de Recebíveis Imobiliários e do Agronegócios também podem ganhar espaço para quem não precisa de liquidez”, indica Abreu.

“Mas, para que isso se consolide, o mercado secundário desses papéis também precisa crescer e ganhar liquidez”, alerta Marcelo Flora, sócio e head do BTG Pactual Digital, que acredita que a entrada dos fundos de pensão nesse mercado em busca do cumprimento de suas metas atuariais pode ser o grande balizador da história, já que chegam com volume.

Outro movimento que vem a reboque é o maior esforço de pesquisa do investidor em busca de taxas menores, além da escolha de plataformas mais abertas de investimentos. “Hoje, as pessoas querem plataformas de investimentos que ofereçam mais vantagens. Nós lançamos outras plataformas em função disso.

Esta é a segunda onda que deve ser maior do que a de 2012″, avalia o executivo do BTG, que possui entre o varejo e grandes fortunas aproximadamente R$ 210 bilhões em ativos de investimentos. Mesmo no Banco do Brasil (BB), cujo investidor tem perfil ainda mais conservador – mais de 90% na renda fixa – esse movimento gradual já começa a acontecer. “Principalmente nos últimos 12 meses, quando percebemos maiores alocações em fundos multimercados”, diz Paula Mazanék, líder da unidade de captação e investimento do BB, que acumula R$ 352 bilhões em patrimônio líquido entre os investidores do varejo.

E, apesar de representar um percentual mínimo da totalidade de ativos, a instituição registrou alguns saltos expressivos em um de seus fundos multimercado, cujo PL saiu de R$ 56,7 milhões em dezembro de 2016 para R$ 470 milhões em junho deste ano. “Já dentro do portfólio dos clientes Estilo, um fundo multimercado macro saiu de R$ 130 milhões para R$ 235 milhões no mesmo período”, conta Paula, que considera que o novo cenário que se desenha vai exigir que os agentes financeiros exerçam um papel mais relevante de assessoria financeira para que o investidor entenda os produtos antes de tomar qualquer decisão.

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