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PDG começa a executar plano de recuperação

12/12/2017 / Categorias Mercado imobiliário , Mercado de trabalho
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Após a aprovação do plano de recuperação judicial da PDG Realty pelos credores e da homologação pelo juiz João de Oliveira Rodrigues Filho, a companhia e seus assessores na reestruturação - RK Partners, de Ricardo Knoepfelmacher, e o escritório de advocacia EMunhoz, de Eduardo Munhoz - começam a colocar em prática o que foi proposto e seguem na negociação dos passivos que ficaram de fora do ajuizamento.

Dos R$ 7,9 bilhões em dívidas da companhia, R$ 5,3 bilhão foram contemplados no plano, R$ 1,4 bilhão se refere a vencimentos de projetos com patrimônio de afetação e R$ 1,2 bilhão, a dívidas extraconcursais. "O grande mérito do plano foi atender às expectativas de todas as classes", afirma o presidente da PDG, Vladimir Ranevsky.

A homologação do plano abre caminho para discussões mais concretas com credores de dívidas que ficaram de fora do ajuizamento. O plano tende a facilitar a liberação de novos recursos pelos credores para a conclusão de obras e a contribuir para atrair investidores interessados em participar de projetos ou da suplementação de créditos para empreendimentos. "O ambiente passa a ser mais seguro para investidores", diz Ranevsky.

Há expectativa de simplificação do processo de venda de imóveis da PDG, segundo o presidente da incorporadora. Anteriormente, a comercialização de unidade dada em garantia a credores resultava no direcionamento da totalidade dos recursos para pagar a respectiva dívida, e a PDG preferia dar prioridade à venda de apartamentos não oferecidos como aval. "Operacionalmente, a máquina de vendas volta ao normal", afirma Adriano Sebusiani, da RK Partners.

No modelo adotado na recuperação, a PDG pode reter parte do dinheiro da venda de uma unidade para pagamento das despesas referentes àquele imóvel, como corretagem, impostos e despesas de condomínio. A companhia já propôs aos credores de SPEs com afetação que também parte dos recursos das vendas também seja direcionada para cobrir despesas e vai negociar o modelo em relação às dívidas extraconcursais.

A PDG tem 20 obras inacabadas, três delas incluídas no plano. A maior parte está em fase avançada de construção, e cerca de cinco, em estágio inicial. Segundo Sebusiani, a PDG tem buscado soluções para cada empreendimento. Não são descartadas as possibilidades de cancelamento de projetos em fase incipiente e de venda total de empreendimentos.

A incorporadora pretende retomar lançamentos, gradualmente, a partir de 2019. A intenção é que, futuramente, o patamar anual de Valor Geral de Vendas (VGV) lançado seja de R$ 500 milhões, mas ainda não há prazo definido. A PDG avalia, tecnicamente, a melhor forma de voltar a apresentar projetos, mas não informa o perfil dos novos empreendimentos nem em que praças pretende atuar.

Na sexta-feira, a companhia fez seu último corte de funcionários para se adequar ao tamanho que considera adequado. A incorporadora passou a ter 290 funcionários (incluindo administrativos e de obras), ante 383 no fim do terceiro trimestre.

As discussões sobre o plano de recuperação judicial da PDG duraram pouco mais de nove meses e tiveram a complexidade de definir rumos de passivos de 512 sociedades de propósito específico (SPES) e de abranger 23 mil credores. "Foi a primeira grande recuperação judicial do setor. Conseguimos tudo isso em um ambiente de negociação sem grandes litígios e tivemos grande apoio dos bancos. O plano aprovado é muito semelhante ao proposto no início", diz Munhoz.

Segundo o advogado, o plano de recuperação da PDG tem "padrão internacional". Munhoz acrescenta que a homologação do plano menos de uma semana depois de sua aprovação aponta a eficiência com que o caso foi tratado pelo Judiciário de São Paulo.

Os principais bancos credores são Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Itaú Unibanco. A lista de instituições financeiras é engrossada por Votorantim e Santander.

Dos bancos envolvidos nas negociações, apenas a Caixa Econômica votou contra o plano na assembleia do último dia 30. "Apesar de ter votado contra o plano, a Caixa teve postura muito construtiva no decorrer do processo", diz o representante da RK. Nas discussões sobre a reestruturação dos demais passivos, porém, o banco público não vem se opondo às propostas da PDG, segundo a companhia.

Até meados do mês, credores das classes II, III e IV precisam manifestar a forma de pagamento que preferem entre as opções oferecidas pelo plano. Conforme a adesão à possibilidade de recebimento por meio de ações, serão definidos o tamanho do aumento de capital, consequentemente, a diluição dos acionistas. Há expectativa, porém, que a capitalização possa ocorrer ainda no primeiro semestre do próximo ano.

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